sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Café


O café sempre exerceu uma grande influência sobre mim. Deixava-me quase inebriada. Quando era pequena e ia de manhã ao café com a minha mãe, adorava ser eu a mexer-lhe o café com aquelas colherinhas pequenas. Sentir o cheiro do café bem tirado, às vezes com o pauzinho de canela que sempre me seduziu. Era quase um ritual. Pôr meio pacote de açúcar e (conforme a vontade da minha mãe) mexer o café. Quando ela voltava costas para pagar, eu tirava a colherinha da chávena e sorvia rapidamente aquele líquido espesso, levemente amargo, subitamente quente. E como gostava...

Ontem estavamos na conversa, eu e a minha mãe, e ela disse-me que sempre soube que eu roubava aquela pequena colherinha da poção mágica que ela bebia. E acreditam que neguei? Continua a ser o meu segredo, oculto. O café fascina-me. O cheiro. O sabor. Sabe-me a corridas de pés descalços em estradas de terra batida, sabe-me a banhos no grande alguidar da minha avó, sabe-me a gelados de banana da minha tia brasileira, sabe-me a beijinhos do meu avô, sabe-me a euforias, sabe-me a encantos, sabe-me a liberdade, sabe-me a poder, sabe-me a mistério, sabe-me a paixão. É café.

3 comentários:

  1. Não gosto mesmo nada de café. Mas gostei da tua descrição.

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  2. Ó sô dona seni, não querendo desiludi-la, acho que o que tem na imagem não é café: e um capuccino.

    Mas isso agora tb pouco importa.

    É a minha incoveniência a manifestar-se às 23h45.

    Vai tomar um cafezinho, pra ver se arrebitas.

    Beijinho naquele sítio

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